30.6.15

Off-season



A temporada terminou e o SeteVinteCinco também está em offseason. Tal como no ano passado, vou fazer uma pausa durante o Verão para descansar e recarregar baterias. É verdade, tomei-lhe o gosto no ano passado e este ano vou repetir. Vou aproveitar o tempo livre para pôr a leitura em dia, ver filmes, séries, descansar, enfim, aquelas coisas que não tenho tempo para fazer durante a temporada.

Regresso no dia 26 de Setembro, dia do aniversário do blogue. E, fica já aqui prometido, regressarei com novidades (isso não se faz, não é?, anunciar novidades e deixar-vos o Verão todo à espera... mas ainda não posso dizer). E, claro, com os habituais Boletins de Avaliação, com o balanço e notas da offseason das 30 equipas.

Até lá, boas férias e bons cestos! Até já, pessoal!

27.6.15

Vencedores Passatempo NBA Playoffs 2015


157 tentaram a sorte, mas apenas um pode ganhar. Ou dois. Porque no passatempo deste ano aconteceu algo que nunca tinha acontecido nas quatro edições anteriores: alguém acertar nos vencedores de todas as rondas. 

Cinco de vocês já tinham acertado em 14 das 15 rondas (o Ricardo Cardoso, que venceu em 2012, e o Eduardo Pinto, o Bruno Kalim, o Basílio Medeiros e o Miguel Costa no passatempo do ano passado), mas até agora ninguém tinha conseguido acertar na grelha completa. Este ano, aconteceu pela primeira vez. E logo a dobrar. Não foi apenas uma pessoa a conseguir esse pleno, foram duas. 

E quem foram os autores de tal feito? O Fábio Luz e o Fábio Gomes.




Como conseguiram esse feito inédito na história do passatempo, não vou fazer desempate e levam os dois prémio. Portanto, é um poster destes para cada um dos Fábios:


Obrigado a todos os que participaram e Parabéns ao vencedores! Pró ano há mais!

19.6.15

Triplo Duplo - Episódio 28 (2ª temporada)


No último TRIPLO DUPLO da temporada, fazemos o balanço das Finais e da memorável temporada dos Warriors; discutimos o surpreendente MVP desta série final; e mandamos ainda uns bitaites sobre o futuro de Cavs e Warriors:



18.6.15

Warriors are the champions




O presidente Obama resumiu-o bem:

Acrescentaríamos apenas "an epic season for Steph AND FOR THE WARRIORS."

Foram umas Finais emotivas e muito divertidas de seguir. Não foram, de todo, as mais bem jogadas. Mas não faltou emoção, drama, adversidade e superação. Não faltaram momentos memoráveis e histórias e reviravoltas para recordar. Não foram as mais bonitas, mas foram das mais dramáticas, surpreendentes e que mais nos entretiveram dos últimos tempos.

O melhor jogador do planeta (e a sua equipa retalhada) frente à melhor equipa foi um duelo que prendeu o mundo e tornou as Finais de 2015 nas mais vistas e mais lucrativas do século, com as audiências mais altas desde 1998 e 224 milhões de dólares em receitas publicitárias para a ABC.

No fim, ganhou o título a melhor equipa. Destas Finais e desta temporada. É verdade que tiveram a sua quota-parte de sorte, mas isso é verdade para todos os campeões. Para se chegar a um título, qualquer título, também é sempre preciso ter a sorte do nosso lado. Sorte para ninguém se lesionar e chegarem ao fim da temporada com toda a gente saudável (ou o mais saudável possível nesta fase). Aconteceu com estes Warriors, como acontece com todas as equipas campeãs.

Quanto às equipas que lhes calharam em sorte? Bem, só podes bater quem te aparece pela frente. E eles fizeram isso. Se teriam batido estas equipas com todos os seus jogadores disponíveis ou se teriam batido outras equipas (Spurs, Clippers)? Nunca vamos saber. Mas isso não quer dizer que não o fizessem. Provavelmente iriam fazê-lo.

Porque a verdade é que os Warriors foram a melhor equipa ao longo de toda a temporada e quebraram recordes e marcas históricas de todo o tipo:



Perderam apenas 4 jogos em casa durante toda a temporada (regular e playoffs), acabaram com um recorde de 83-20 no conjunto da temporada regular e playoffs, com a quarta melhor percentagem de de vitórias e o terceiro melhor "net rating" desde 77-78. Números que os colocam não só no topo desta temporada, mas entre algumas das melhores equipas de sempre:


Já tivemos grandes equipas ofensivas (como os Suns de Nash e D'Antoni, que tentavam ganhar marcando mais pontos que o adversário). E já tivemos grandes equipas defensivas (como os Pacers de 2012 e 2013, que tentavam ganhar sofrendo menos pontos que o adversário). Mas nunca tivemos uma combinação de ataque e defesa como nestes Warriors, capazes de dominar nos dois lados do campo e de bater um adversário tanto com um vendaval ofensivo, como com uma defesa sufocante.

Os Warriors provaram que é possível jogar rápido e com um ritmo de jogo elevado e, ao mesmo tempo, defender bem. E não deixam dúvidas que foram os melhores do ano. 
40 anos depois, os Warriors voltaram a levar o Larry para casa. Foi uma temporada inesquecível e um campeão justo.

17.6.15

Golden State Champions


Senhoras e senhores, os novos campeões:




Ganhou a melhor equipa destas Finais e a melhor equipa desta temporada. Parabéns aos Golden State Warriors!

16.6.15

Warriors x Cavs - 5º round



"Se eu errei? Ouve, quando estás a orientar um jogo, tens de tomar decisões. E eu achei que a melhor hipótese de nos mantermos no jogo e de termos uma hipótese de vencer era jogar da maneira que jogámos hoje." Assim justificou David Blatt, após o jogo 5, a decisão de manter Timofey Mozgov no banco e tentar bater os Warriors no small ball.

Era a melhor hipótese que os Cavaliers tinham de ganhar ou foi uma estratégia suicida? Vamos mais pela segunda. Poderia ser uma boa estratégia. Mas, perante as circunstâncias, foi deveras kamikaze.

Foi uma decisão surpreendente (ainda mais depois do bom jogo de Mozgov no jogo 4), mas não é isso que a torna má ou suicida. Às vezes fazer o que o adversário não espera de nós pode ser positivo e apanhar o adversário de surpresa é uma coisa boa. O que a torna suicida é que, neste caso, não só foram, durante todo o jogo, de encontro àquilo que o adversário faz melhor, como o tentaram fazer sem ter condições para tal.

Porque tentar bater os Warriors no seu jogo apresenta dois grandes perigos: o de se esgotarem fisicamente e o dos Warriors engatarem e começarem a carburar num estilo de jogo onde estão confortáveis e no qual mais facilmente se podem sair melhor.

Justiça seja feita a David Blatt, tirar Mozgov aos 7:09 do 1º período e com os Cavs a perder 8-2, não resultou mal. O jogo mais aberto não foi mau para a equipa de Cleveland. Ficaram com melhores encaixes defensivos, tiveram mais espaço para os ataques ao cesto de LeBron, mais espaço para ele penetrar e criar, e conseguiram ser mais móveis. E saíram-se bem no small ball durante três períodos. 

Mas para vencer os Warriors nesse tipo de jogo, precisam de estar bem fisicamente e de correr tanto como eles. O que já adivinhávamos no 1º período que estes Cavs não seriam capazes de fazer até ao fim. Durante 30 e tal minutos, aguentaram a jogar assim, mas depois aconteceram as duas coisas que referimos em cima: o esgotamento fisico dos Cavs e o engate dos Warriors.

A decisão de jogar small ball não foi má. E fazê-lo em alguns períodos do jogo até poderia ter sido uma grande estratégia. Mas era previsível que não conseguiriam ganhar a jogar assim durante todo o jogo. O que torna difícil de compreender a decisão de não voltar a meter Mozgov e não tentar, em alguns momentos ou no fim do jogo, contrariar o small ball dos Warriors, não os deixar ficar confortáveis nesse jogo e alternar esse tipo de jogo com cincos mais altos (com os quais os Cavs se têm dado bem também).

No início do jogo, por exemplo, o maior problema dos Cavs não estava no cinco mais alto. O maior problema estava na forma como o estavam a usar e como estavam a meter a bola no interior em Mozgov. Ficarem estáticos e despejar a bola no poste baixo não funciona. Não só assim os defensores dos Warriors tiveram tempo para fechar as linhas de passe e interceptar passes, como Mozgov não é tão eficaz dessa forma. Precisam de movimento e de envolver o russo em pick and rolls. Ou então envolver Thompson no pick and roll, com Mozgov a cortar para o cesto no lado contrário. Mas em movimento e com Mozgov a rolar e a cortar para o cesto.

Blatt também disse que sim, Mozgov fez um bom jogo 4, mas os Cavs perderam o jogo, e por muitos. Só que não foi por jogarem "big" que perderam. Foi por estarem de rastos. O problema do jogo 4 não foi a estratégia, foi a execução (ou a falta de pernas para a executar a estratégia).
Neste jogo 5, gostávamos de ter visto a mesma estratégia executada com mais pernas. Não sabemos se seriam bem sucedidos. Não temos qualquer garantia disso. Mas desconfiamos que teria corrido melhor.

_____



Quem não tem culpa da decisão de David Blatt são os Warriors, que aproveitaram o small ball da melhor maneira, para, como no jogo 4, correr e atacar de forma mais rápida e móvel. E Draymond Green, que continuou a fazer bem o seu papel de "bloqueador e rolador", a receber várias vezes a bola no meio do campo após o pick and roll e ora a ir para o cesto, ora a distribuir para jogadores abertos nos cantos.

E Stephen Curry, que foi, mais uma vez, um dos catalisadores do small ball dos Warriors. Aquela ação do Draymond Green começava com o base de Golden State a reconhecer o 2x1 e a soltar para o jogador que desfazia. Curry fez isso bem ao longo de todo o jogo (e tem feito ao longo de toda a série). E depois tomou conta do jogo no final com alguns triplos incríveis e impossíveis de defender. No jogo 5, o MVP da temporada regular voltou a aparecer e a ser decisivo.

E deixa os Warriors a uma vitória de, 40 anos depois, voltarem a levantar o troféu Larry O'Brien. Vamos ver se é já hoje. 

15.6.15

LeBron, o MVP


Os Cavs tentaram bater os Warriors no seu jogo e (previsivelmente?) não correu bem. Mas antes de irmos à estratégia suicida de David Blatt, vamos só tirar isto da frente: LeBron James é o MVP destas Finais. 


Ganhem os Warriors ou ganhem os Cavs, LeBron é o jogador mais valioso das Finais de 2015. E a milhas de distância de qualquer outro. Se os Cleveland Cavaliers, por acaso, conseguirem dar a volta a esta série e vencer o título, nem há discussão sobre quem vence o prémio. Mas mesmo que sejam os Golden State Warriors a levantar o troféu Larry O'Brien, deve ser LeBron a levantar o troféu Bill Russell.

Até agora, só por uma vez o prémio foi para um jogador da equipa derrotada: em 1969 (o primeiro ano em que o prémio foi atribuído), os Lakers de Jerry West perderam em 7 jogos para os Celtics, mas foi o base da equipa de Los Angeles que levou o prémio de MVP. West terminou com médias de 38 pts, 7.4 ast e 4.7 res e dele disse, no fim, Bill Russell: "Ele não venceu o título, mas é um campeão."

Pois se os Cavs perderem, LeBron merece juntar-se ao The Logo como "únicos jogadores da equipa derrotada a vencer o prémio na história da NBA". 
O vencedor deve ser da equipa vencedora? Em lado nenhum isso está escrito e não é uma regra do prémio. É uma regra implícita e não-escrita? Sim, é verdade, mas a diferença entre o que LeBron tem feito nestas Finais e o que qualquer outro jogador tem feito é tão grande que se em algum ano esse critério vai ser ignorado, este é o ano.

Só alguns números e factos, para termos noção da exibição hercúlea a que estamos a assistir e da dimensão e raridade da mesma:

- James está com médias de 36.6 pts, 12.4 res e 8.4 ast nas Finais. Desde 1986, só Michael Jordan, James Worthy e Shaquille O'Neal conseguiram fazer estes números NUM JOGO das Finais. James está a fazê-los em CINCO jogos.

- Na história da NBA, só dois jogadores fizeram triplos-duplos com mais de 40 pontos nas Finais. LeBron, ontem e... Jerry West, naquelas Finais de 1969.

- LeBron é o 4º jogador (Wilt Chamberlain, Magic Johnson, Larry Bird) a conseguir mais do que um triplo-duplo nas mesmas Finais

- LeBron marcou 39.4% dos pontos dos Cavaliers nos cinco jogos (183 em 464)

Acrescente-se a estes números monstruosos o facto de que ninguém nos Warriors se tem destacado de forma consistente ao longo de toda a série e o prémio só pode ir para um jogador. Curry só apareceu na forma de MVP nos dois últimos jogos, Klay Thompson só esteve realmente bem no primeiro jogo, Iguodala tem sido o contribuidor mais regular, mas muitos furos abaixo de LeBron e Green fez um bom jogo 5. A produção dos Warriors tem sido distribuída por vários jogadores. Afinal, eles são a melhor equipa. E LeBron o melhor jogador.

Ele vai ser o MVP mesmo que os Warriors ganhem? Vai difícil vencer aquele critério/preconceito de que o MVP tem de ser da equipa vencedora, mas, como dissemos ali em cima, se algum ano isso pode ser ultrapassado, este é o ano.



(a seguir: a nossa crónica do jogo 5 e a análise da estratégia suicida de David Blatt)

12.6.15

Warriors x Cavs - 4º round



Esta crónica vai ser curta. Como a equipa dos Cavs.

Steve Kerr disse aos seus jogadores no primeiro desconto de tempo do jogo (aos 9:43 do 1º período, quando estavam a perder 7-0): "Eles estão a jogar com 7 jogadores, eles vão quebrar." E assim foi. Ao 4º jogo, os Warriors correram e os Cavaliers mostraram que afinal são humanos. Ao 4º jogo, Kerr alterou o cinco inicial (passou Andrew Bogut para o banco e começou com Curry/Thompson/Iguodala/Barnes/Green) e optou pelo small ball logo desde o início, numa tentativa de aumentar o ritmo de jogo.

E, desde o início, foi isso que os Warriors fizeram. Correram, aceleraram o jogo e tentaram sempre atacar a um ritmo mais elevado. Moveram a bola mais e mais rápido, foram mais móveis e ativos no ataque, fizeram mais passes (muitos ataques com Green a desfazer dos pick and rolls, a receber a bola e a distribuir a partir daí) e no fim do 1º período já deviam ter quase tantos lançamentos sem oposição como na série toda. 

Foi o melhor 1º período da série para Golden State (máximo de pontos num 1º período - 31). E continuaram a correr no segundo. Ao intervalo, tinham 14 assistências em 20 lançamentos concretizados e o máximo de pontos numa primeira parte na série (54).

Mas a mudança no cinco não foi a única alteração táctica de Steve Kerr. Na defesa a LeBron ajudaram mais e fizeram mais vezes 2x1, para lhe tirar a bola das mãos e obrigar os outros Cavs a fazer mais. O que, evidentemente menos frescos que nos jogos 2 e 3, não conseguiram fazer (os ressaltos ofensivos e a clara vantagem no interior eram a única coisa que atenuava essa diferença - ao intervalo tinham 14-22 na área pintada e apenas 3-24 fora dela).

Os Cavs pareciam fatigados e sem pernas para acompanhar os Warriors. No 3º período, ainda foram buscar forças não se sabe aonde para recuperar e reduzir para 3 pontos, mas os Warriors voltaram a correr e no 4º acabou o combustível à equipa de Cleveland. LeBron e Dellavedova estavam exaustos e recebiam massagens em todos os descontos de tempo, toda a equipa estava de rastos (Mozgov era o único que ainda parecia ter forças para lutar no interior, tentaram ir mais para ele, mas foi muito insuficiente) e os Warriors fugiram definitivamente no marcador.

Os Warriors baixaram a altura do cinco e subiram o ritmo e a velocidade do jogo. E os Cavs não tiveram pernas para acompanhar. Jogar só com 7 jogadores faz destas coisas (e James Jones e JR Smith andam a dividir os minutos entre si, por isso os Cavs andam a jogar quase com cinco jogadores e a espremer o seu cinco inicial ao máximo). 

Agora só jogam domingo e vão ter, por isso, um muito necessário e bem-vindo dia extra de descanso. Vamos ver se ainda arranjam forças para lutar pela série ou se esta virou definitivamente.

11.6.15

Triplo Duplo - Episódio 27 - #NBAFinals


O TRIPLO DUPLO desta semana é, obviamente, dedicado às Finais. O João Saraiva juntou-se a nós e falámos do que aconteceu nos primeiros três jogos, se LeBron poderá ser o MVP mesmo que os Cavs percam, o que os Warriors precisam de melhorar para dar a volta à serie e se é possível os Cavs melhorarem alguma coisa:



Warriors x Cavs - as palavras do Rei


Uma das melhores análises do jogo 3 e das Finais até agora foi feita pelo próprio LeBron James, nesta entrevista muito honesta e muito informativa com Dwyane Wade:


Sobre o seu estado de espírito: 
"Neste momento, só estou a tentar fazer tudo o que o que fôr preciso. Estarmos com menos jogadores, contra uma equipa melhor... ninguém contar connosco... está tudo contra nós. Não temos nada a perder."

Sobre a temporada:
"Tinha tanta motivação para esta temporada, mas sabia que ia ser um processo longo. Sabia do que estava a abdicar, e o que seria preciso de mim para ter os nossos tipos preparados para isto. Não pensei que chegássemos aqui, mas estava preparado para liderar se cá chegássemos."

Sobre lançar tanto nestas Finais:
"117 lançamentos (em 3 jogos), não é o meu estilo, não sou eu, mas não tenho escolha."

10.6.15

Warriors x Cavs - 3º round




Foi uma partida de loucos, um 4º período insano e um final de jogo de maluquinhos. Por isso, vamos lá tentar meter ordem no que aconteceu ontem na Quicken Loans Arena:

O que aconteceu até ao ao fim do 3º período?
Uma exibição medíocre dos Warriors e uma defesa sufocante dos Cavs. Sim, quem diria antes desta série que seriam capazes de limitar desta maneira o ataque de Golden State, mas pelo segundo jogo consecutivo conseguiram fazer algo que ninguém tinha conseguido em toda a temporada: manter os Warriors abaixo dos 60 pontos ao fim de 3 períodos.

Stephen Curry até entrou bem no jogo e, nos minutos iniciais, os Warriors moveram mais e melhor a bola que nos dois primeiros jogos. Curry estava mais agressivo e a atacar mais o cesto, e mesmo sem conseguir encontrar espaço para lançar, estava a distribuir, a abrir espaços para os outros, a passar e a iniciar as ações no ataque. No jogo 2, fizeram apenas 16 assistências em todo o jogo e ontem tinham 8 assistências em 9 lançamentos de campo no fim do 1º período.

O problema é que, mais uma vez, Curry não teve grande contribuição dos jogadores para quem soltava a bola (o frontcourt voltou a ser uma nulidade no ataque e Barnes/Green/Bogut marcaram apenas 11 pontos entre os três, com 4 em 21 em lançamentos). Com o desenrolar da primeira parte, Curry foi desaparecendo, os Warriors deixaram de mover a bola, recorreram mais a ações individuais e regrediram para a equipa sem qualquer consistência e regularidade no ataque dos dois primeiros jogos.

Mérito também, e muito, para a defesa de Cleveland, que conseguiu fechar todos os espaços no perímetro e não dar lançamentos sem oposição aos Splash Brothers. Na primeira parte, concederam apenas 37 pontos, um novo mínimo na temporada para os Warriors (só para se ter noção: durante a temporada, os Warriors marcaram 37 ou mais pontos NUM PERÍODO 18 vezes).
E se na primeira parte já tinham sido muito bons nesse lado do campo, no 3º período a sua defesa atingiu níveis excepcionais e sufocou verdadeiramente o ataque dos Warriors. Foram muito mais aguerridos, muito mais agressivos, lutaram por cada ressalto (Tristan Thompson voltou a ser enorme nesse capítulo) e por cada bola dividida (Dellavedova foi gigante nesse particular, atirando-se a cada bola como se a sua vida dependesse disso), e dominaram fisicamente os Warriors, tanto na tabela como no perímetro. Durante 36 minutos, a equipa de Cleveland foi muito melhor.

O resultado no fim do 3º período parecia impensável para esta equipa dos Warriors: apenas 55 pontos marcados (mínimo na temporada ao fim de 3 períodos). E 17 de vantagem para os Cavs. Parecia decidido, certo? Errado.


O que aconteceu no 4º período?
Os Warriors mostraram porque é que contra eles nenhuma vantagem é segura. Acordaram e, durante 6 minutos, foram a equipa que vimos durante toda a temporada: uma equipa que num ápice pode marcar mãos cheias de pontos. Em três ataques, marcaram dois triplos e um lançamento na passada e reduziram a diferença para 9. E nas primeiras 8 posses de bola do período, marcaram 18 pontos e voltaram à discussão da partida.

Isto aconteceu, não coincidentemente, com a entrada de David Lee. O power forward que não tinha jogado nos dois primeiros jogos (e não jogava desde o jogo 4 da finais de conferência) já tinha sido lançado uns minutos no 2º período, mas foi neste período que mostrou como pode ser importante para a equipa. 
Lee é melhor que qualquer outro jogador interior dos Warriors a desfazer do bloqueio e a rodar para o cesto e deu uma opção ofensiva interior que faltava à equipa. Com ele a receber a bola após o pick and roll e ora a ir para o cesto, ora a passar para o homem livre quando vinha a ajuda, o ataque dos Warriors ficou mais móvel e com melhor rotação da bola. 

Também ajudou que Curry tenha acordado e o MVP tenha aparecido para jogar estes minutos finais. E a 2:47 do fim, marcou um triplo que colocou os Warriors a um. E depois tivemos o tal final de loucos.


Dellavedova respondeu ao MVP na posse de bola seguinte e marcou dois pontos com falta. Curry fez um turnover no ataque seguinte e LeBron marcou um triplo que colocou os Cavs a ganhar por 7 a 1:44 do fim. Dagger Three? Agora estava decidido? Ainda não.

Entre os Cavs a dar tiros no pé e a oferecerem duas bolas aos Warriors, Curry a fazer novo turnover, Dellavedova a fazer um mergulho sensacional e a recuperar mais uma bola dividida e Curry a marcar triplos inacreditáveis de todo o lado e com 3 e 4 Cavs em cima, tivemos um minuto final que deve ter provocado ataques de coração por todo o Ohio. Mas os Cavs foram marcando os seus lances livres, sobreviveram ao susto e saíram com a vitória.


O que aconteceu afinal neste jogo?
Uma equipa de Cleveland com mais garra, mais luta e mais determinação, e que continua a fazer milagres com os jogadores que tem disponíveis venceu uma equipa dos Warriors que precisa de fazer muito melhor e a quem não basta jogar bem alguns minutos por jogo.
Foram três períodos medíocres de Golden State, depois 6 minutos bons no início do 4º período e dois minutos finais incríveis de Curry. O que não chega para quem quer ser campeão.
Os Cavaliers voltaram a superar-se, fizeram um esforço defensivo inimaginável e, mais uma vez, mereceram ganhar.


E o que vai acontecer agora?
Se há coisa que já aprendemos nesta série, é que tudo pode acontecer. Portanto, boa sorte para qualquer previsão. Podem não estar a ser as mais bonitas ou bem jogadas, mas estão a ser umas Finais emocionantes, muito interessantes e muito, muito divertidas de seguir. Venha o jogo 4!

8.6.15

Warriors x Cavs - 2º round



A primeira vitória da história dos Cavaliers em Finais da NBA pode não ter sido bonita, pode não ter sido sexy e gira, mas foi merecida. 

Pode não ter sido um jogo bem jogado, mas estética não é algo com que os Cavs estejam preocupados neste momento. "Somos o esquadrão bravo neste momento. Se esperam que joguemos basquetebol sexy e giro, isso não é para nós agora. É tudo duro, e vai ter de ser no resto da série.", disse LeBron James no fim do jogo.

E duro e arrancado a ferros foi. Se o jogo 1 já não tinha sido brilhante, este foi ainda menos bem jogado. Por ambas as equipas. Mas se, no jogo 1, os Warriors fizeram (apenas) o suficiente para vencer, neste nem isso fizeram. Na verdade, podíamos, apenas com umas pequenas alterações, usar as palavras fictícias que escrevemos para o jogo 1 para descrever este jogo 2: 

"King James dominou, os seus escudeiros ajudaram e os Cavs surpreendem os Warriors no primeiro segundo jogo das Finais.

Uns Warriors alguns muitos furos abaixo do seu normal foram surpreendidos em casa por um enorme jogo de LeBron James e um bom jogo de Irving Dellavedova/Mozgov/Jones/Shumpert."

Só que desta vez essas palavras não ficaram a centímetros de se tornarem realidade. Desta vez, jogar bem durante dois ou três minutos e conseguir pôr de pé três ou quatro boas posses de bola consecutivas no fim do jogo não foi suficiente para os Warriors, e os Cavs tornaram-se apenas na quarta equipa a conseguir vencer um jogo na Oracle Arena esta temporada (apenas a segunda nestes playoffs, depois dos Grizzlies).

LeBron James voltou a fazer de tudo na equipa de Cleveland e terminou com um enorme triplo-duplo (39 pts, 16 res e 11 ast), Matthew Dellavedova secou Stephen Curry, Timofey Mozgov (nos apenas 29 minutos que jogou) dominou no interior e explorou a vantagem de altura contra o small ball dos Warriors (e não sei porque não jogou mais e porque não jogou no 4º período e no prolongamento, porque sempre que foram para ele no ataque conseguiram vantagem), Shumpert ajudou dos dois lados do campo, Jones deu uma importante ajuda no ataque (até atacou em drible!) e nem todos os tiros no pé que JR Smith deu foram suficientes para tirar a vitória aos Cavs (quase que eram!).

Do lado de Golden State, apenas se safou Klay Thompson. Ao intervalo, era este o aspecto do diagrama de lançamentos dos titulares dos Warriors não-chamados-Klay-Thompson:

No fim do jogo o panorama não foi muito melhor. Curry falhou 13 (!) triplos (2 em 15, novo recorde de triplos falhados num jogo das Finais) e raramente atacou o cesto e/ou construiu para os outros; os jogadores interiores foram uma nulidade em quase todo o jogo (Bogut, Green e Ezeli tinham um cesto de campo ENTRE OS TRÊS a 3 minutos do fim do 4º período), Barnes não ajudou grande coisa, Iguodala ajudou menos no ataque que no jogo 1 e o momento alto de Marreese Speights foi este:



Os Cavs também não jogaram bem (desde 84-85 que uma equipa não ganhava um jogo dos playoffs com uma percentagem de lançamento tão baixa!, 32.2%). Longe disso. Mas a equipa do Ohio está severamente limitada e com todas as ausências que sabemos. E o que conseguiram fazer com os jogadores têm à disposição foi admirável. Conseguiram defender os Warriors melhor que ninguém este ano e moveram melhor a bola no ataque.

No início do jogo, LeBron, defendido por Harrison Barnes, atacou muitas vezes em jogadas de isolamento a partir de poste baixo e o ataque dos Cavs estava muito parado. Mas quando entrou Iguodala, LeBron passou a atacar a partir do perímetro e o ataque dos Cavs melhorou muito. Com LeBron a atacar de frente e com penetrações, a defesa dos Warriors já não ficou tão estática e posicional como quando ele atacava a partir de poste baixo e ele conseguiu envolver mais os colegas.

O que originou uma situação curiosa (e perversa para os Warriors): apesar de Iguodala ser melhor defensor que Barnes, ele ter entrado para defender Lebron foi o melhor que aconteceu aos Cavs. Contra Barnes, LeBron procura (e bem, porque tem vantagem) jogar mais a poste baixo (e alto). Só que isso torna o ataque dos Cavs menos móvel. Contra Iggy, LeBron não tem a mesma vantagem no interior e não procura essa posição. E foi quando ele deixou de fazer isso que o ataque dos Cavs ficou mais eficaz.

Os Cavaliers têm menos talento à sua disposição, mas têm feito muito melhor com o que têm do que os Warriors. E mereceram sair da Oracle Arena com uma vitória. Porque ontem os guerreiros foram os Cavs.

6.6.15

Warriors x Cavs - 1º round



"King James dominou, o seu escudeiro ajudou e os Cavs surpreendem os Warriors no primeiro jogo das Finais.

Uns Warriors alguns furos abaixo do seu normal foram surpreendidos em casa por um enorme jogo de LeBron James e um bom jogo de Kyrie Irving. James marcou 44 pontos (novo recorde pessoal de pontos num jogo das Finais), Kyrie Irving fez uma jogada defensiva decisiva e os Cavs roubaram o primeiro jogo em Oakland.

Como prevíamos que o podiam fazer, os Warriors defenderam LeBron James 1x1 e sem sobre-ajudas, optando por cortar as linhas de passe para os colegas de equipas e desafiando LeBron a batê-los sozinho. E foi quase isso mesmo que James fez. Quase, porque contou também com uma preciosa ajuda de Kyrie Irving. Após uma semana de pausa entre as finais de conferência e as Finais, o base dos Cavs não esteve ainda a 100%, mas esteve mais próximo do seu normal. E, para além da boa contribuição ofensiva (23 pontos, e a dividir as tarefas de atacar o cesto com LeBron James), esteve muito bem naquilo que é uma das chaves destas Finais: a sua defesa a Stephen Curry.

E foi mesmo desse lado do campo que Irving decidiu o jogo, bloqueando aquele que seria o lançamento da vitória de Curry. Na posse de bola seguinte, a última do jogo, LeBron James não conseguiu criar uma boa situação de lançamento (mérito também para a boa defesa de Iguodala), tentou e falhou um triplo contestado, mas Iman Shumpert ganhou o ressalto ofensivo, atirou a bola para o cesto mesmo em cima da buzina e silenciou a Oracle Arena."


Isto foi o quão perto destas palavras os Cavs estiveram:


Estiveram a escassos centímetros (milímetros?) de acordarem no dia seguinte e lerem essas palavras. Se a bola que Iman Shumpert atirou lá para cima no último segundo do tempo regulamentar tivesse entrado, era isso que teríamos lido ontem por todo o lado. A história da vitória dos Cavs.

Uma vitória que seria, de resto, merecida. Porque durante 48 minutos a equipa de Cleveland fez quase tudo o que precisava de fazer para derrotar a equipa de Golden State. LeBron atacou muitas vezes (principalmente quando era defendido por Harrison Barnes) a partir de poste baixo, Irving defendeu bem Stephen Curry, Tristan Thompson e Timofey Mozgov atacaram as tabelas e ganharam muitos ressaltos ofensivos, e conseguiram limitar as transições ofensivas rápidas dos Warriors.

Das coisas que destacámos como chaves das Finais para os Cavs, a única que não conseguiram fazer foi envolver mais os atiradores e aproveitar o espaço que LeBron abre no ataque. Porque os Warriors não deram esse espaço. O plano defensivo da equipa de Steve Kerr foi tirar isso a LeBron, como esta foto ilustra na perfeição:



Mas LeBron e Irving, com 67 pontos entre si, quase que foram suficientes.

A equipa de Steve Kerr, talvez acusando a inexperiência (era a estreia num jogo das Finais para todos os jogadores dos Warriors), entrou precipitada e a mover pouco a bola no ataque (no fim do 1º período, tinham apenas 2 assistências). E apesar de ter melhorado um pouco dali para a frente (os nervos e a excitação devem ter acalmado um pouco), esse foi um problema que se manteve ao longo do jogo todo.

Mantiveram-se fiéis ao plano defensivo e fizeram um bom trabalho desse lado do campo, mas no ataque estiveram bastantes furos baixo do normal, rodaram a bola menos do que o habitual e não fizeram a defesa dos Cavs trabalhar tanto como deviam. Na entrevista no fim do 3º período, o próprio Steve Kerr reconhecia-o: "On the ofensive end, we need more movement, more pace."

Durante 48 minutos, os Cavs foram melhores (ou pelo menos tão bons como os Warriors, que já é mais do que acreditávamos que pudessem ser). Só que o lançamento de Shumpert roçou ligeiramente no aro e não entrou, e o jogo teve mais 5 minutos. Cinco minutos desastrosos para os Cavs e que mudaram a história deste jogo 1 e destas Finais.

Cinco minutos em que acabou o gás à equipa de Cleveland (acontece isso quando se joga apenas com 6 jogadores quase o jogo todo), em que marcaram apenas 2 pontos (e esses pontos foram nos segundos finais, quando já estava tudo decidido) e, pior do que a derrota, em que Kyrie se lesionou gravemente.

Nesses 5 minutos extra, bastaram um trio de maus ataques para os Cavs (no terceiro deles, foi quando Irving se lesionou) e, do outro lado, um trio de posses de bola consecutivas a marcar para os Warriors para acabar com o jogo.

Golden State fez o suficiente para ganhar este primeiro jogo. Os Cavs tiveram uma oportunidade de ouro de ganhar um jogo em Oakland. Provavelmente a melhor que vão ter. Porque os Warriors não vão atacar assim tão mal muitas vezes. Porque Curry e Klay Thompson não vão andar muitas vezes desaparecidos em períodos tão grandes do jogo como neste. E porque tiveram Irving. Que não vão ter para o resto das Finais.

Os Cavs perderam o jogo e podem ter perdido a série naqueles 5 minutos extra. Infelizmente para eles, estas foram as palavras que leram no dia seguinte.

SeteVinteCinco na SportTV


Para quem não teve oportunidade de ver, aqui fica o meu bitaite na Antevisão das Finais na SportTV:



(o artigo sobre o Jogo 1 vem já a seguir! ;) )

4.6.15

Guerreiros ou Cavaleiros?


Acabou finalmente a espera. Depois da pausa mais longa de sempre entre as Finais de Conferência e as Finais, começa hoje (esta madrugada, às 02:00) o duelo pelo título. Quem leva o Larry O'Brien para casa, Warriors ou Cavs? Aqui fica a minha previsão:



(eu tenho sido um desnaturado e não tenho escrito nada nos últimos tempos, mas eu sei que as Finais não são a mesma coisa sem as minhas crónicas. ;) Por isso, durante as Finais não faltarão as minhas análises e comentários sobre as mesmas. Como o tenho feito todos os anos, após cada jogo, aí terão a minha crónica sobre ele.)

1.6.15

Triplo Duplo - Episódio 26 (2ª temporada)


Do que é que se fala no TRIPLO DUPLO desta semana? Das Finais, pois claro.
Neste episódio, fazemos as nossas antevisões e previsões para o duelo pelo título entre os Cavs e os Warriors. Antes disso, ainda falámos das duas equipas que ficaram pelo caminho nas Finais de Conferência e daquilo que precisam fazer para conseguir ir mais longe no próximo ano.
Ah, e quem quiser participar no próximo episódio, é seguir as instruções:


- Participar no próximo Triplo Duplo (01:20)
- Atlanta Hawks (02:54)
- Houston Rockets (19:56)
- Finais - Cavs x Warriors (38:00)